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EPICONDILITE LATERAL E MEDIAL: SAIBA O QUE É

  • 2 de dezembro de 2017
Epicondilite lateral e medial ou Dor de Cotovelo: saiba o que é

O QUE É EPICONDILITE

Epicondilite, ou Tendinite no Cotovelo, é uma doença causada por movimentos repetitivos e é identificada pela famosa dor no cotovelo aguda.

A epicondilite é caracterizada inicialmente por um processo inflamatório, seguido por danos dos tecidos vasculares (em particular os pequenos capilares, os vasos sanguineos de menor calibre em relação às veias e as artérias), processos celulares degenerativos e reparação dos tecidos por parte do corpo, que acontece de forma desorganizada (‘de uma forma errada’).

Por essas razões a epicondilite é um processo complexo, que não se reduz somente ao fator inflamatório.



O nome se deve ao local onde se inserem os tendões, que é uma proeminência óssea chamada epicôndilo.

Em alguns casos a Epicondilite se classifica como Lesão por Esforços Repetitivos (LER) e Distúrbio Osteomuscular Relacionados ao Trabalho (DORT).

Segundo dados da Fundacentro, 3,5 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, no Brasil, já contraíram alguma LER DORT.

Ou seja, em sua maior parte, é uma doença relacionada ao trabalho ou praticas do dia a dia, porém o trauma também pode ser causado por práticas esportivas.

Se você quiser saber mais sobre este assunto, nós já escrevemos um extenso artigo explicando (quase) tudo que você precisa saber sobre LER/DORT.

Mas, voltando aos tipos de epicondilite, eles se dividem em dois subgrupos: Epicondilite Lateral e Epicondilite Medial.

E qual a diferença entre epicondilite medial e lateral?

Ambos são diferentes nomes dados à mesma doença, porém com pequenas diferenças entre elas.

Objetivamente, existem dois pontos de inserções principais dos músculos do antebraço no cotovelo.

Esses são os chamados tendões ‘lateral’ e ‘medial’. No artigo ‘Tendinite no ombro’ já falamos brevemente sobre a função dos tendões.

Mas, vejamos mais detalhes sobre a epicondilite lateral e medial.

Epicondilite 0004_01p

Epicondilite Lateral (Cotovelo de Tenista)

A inflamação dos tendões que se inserem na parte lateral do cotovelo é denominada epicondilite lateral, ou, popularmente chamada de ‘cotovelo de tenista’.

A epicondilite lateral é mais comum entre 30 e 60 anos de idade e parece ser mais grave e de duração maior nas mulheres.

Geralmente o lado mais afetado é o braço dominante – o destro ou o canhoto.

Justamente por ser com ele que executamos a maioria das tarefas.

Quando pensamos em termos anatômicos imaginamos uma pessoa em pé, com os braços ao longo do corpo e as palmas abertas viradas para frente.

A parte externa do cotovelo a gente enxerga como ‘lateral do cotovelo’ e a parte interna como o ‘medial’ (imagem).

Esses músculos são responsáveis pela pronação.

Com o cotovelo dobrado em 90° e a palma aberta para cima, você gira o antebraço de forma que a palma da mão fique, agora, virada para para baixo. Isso é a pronação.

Epicondilite Medial (Cotovelo de Golfista)

A inflamação dos tendões da parte medial é chamada de epicondilite medial, ou, ainda, ‘cotovelo de golfista’.

A epicondilite medial é menos comum, afetando indicativamente menos que 1% da população em geral.

Geralmente é mais frequente entre 40 e 60 anos e afeta da mesma forma homens e mulheres.

Alguns grupos de pessoas apresentam mais riscos de manifestar essa doença.

Em particular no ambiente de trabalho, como marceneiros, encanadores ou atletas que praticam esportes que demandam movimentar o braço acima da cabeça.

Atinge os tendões do lado oposto, os que chamamos de internos, pois praticam o movimento contrário do braço, de supinação.

O que é epicondilite lateral e medial

Cotovelo de Tenista (ref. epicondilite lateral), cotovelo de golfista (ref. epicondilite medial), respectivamente.

SINTOMAS

Como qualquer tendinite, dor é o principal sintoma da epicondilite.

Normalmente ao movimentar e ao apalpar, geralmente na parte interna ou externa do cotovelo.

Também há perda da função, isto é, a capacidade de desempenhar tarefas no dia a dia.

Em alguns casos, pode ocorrer um pouco de inchaço no braço, podendo, também, ficar vermelho no local da dor.

E, por falar em dor, não deixe de conferir nosso artigo com 12 dicas para evitar dores no seu dia a dia, clicando aqui.

INCIDÊNCIA DA DOR DE COTOVELO NÃO SENTIMENTAL

Tendinite é assim, quem não tem conhece alguém que tem.

As epicondilites laterais e mediais são as lesões mais frequentes do cotovelo, apresentando alta incidência no conjunto da população e não apenas em esportistas, como os nomes populares sugerem.

Estudos epidemiológicos mostraram que de 1% a 3% da população, normalmente entre 40 e 60 anos, contraem epicondilite em algum momento de suas vidas.

No Brasil os casos chegam a mais de 150 mil por ano.

CAUSAS DA EPICONDILITE

Epicondilite (lateral e medial) ou 'Dor de Cotovelo': saiba o que é

A epicondilite pode ocorrer devido a pequenos ou micro-traumas que se prolongam por muito tempo e que vão forçando os movimentos e sobrecarregando demasiadamente o tendão.

Dessa forma, o tendão inflama, precisando de repouso e imobilização com órtese, uso de gelo ou algum anti-inflamatório e fisioterapia.

Caso a dor persista por mais de três meses, passa a ser descrita como dor crônica.

Então, de qualquer forma, é recomendado procurar um especialista ao sentir os primeiros sintomas de dor no cotovelo o mais breve possível.

Fumantes correm mais risco de desenvolver a doença.

EPICONDILITE TEM CURA?

Antes de qualquer coisa, é preciso dizer: tanto epicondilite lateral como medial tem cura.

Não é grave mas precisa ser tratada para não virar um problema crônico e incapacitante, pois a dor pode ser bastante intensa.

Como somos bípedes o braço é o que usamos para explorar o espaço e fazer nossas tarefas.

Logo, o que é incapacitante para o braço acaba limitando muito nossa vida cotidiana.

Abaixo, vejamos os tratamentos possíveis.

TRATAMENTOS POSSÍVEIS À EPICONDILITE

Normalmente utilizamos uma abreviação para as etapas do tratamento da fase aguda da epicondilite (e de outros tipos de tendinites e inflamações).

Essa abreviação, em inglês, se resume em PRICEMM. Eis o que ela significa:

Protection (Proteção): em primeiro lugar, evitar as atividades que geraram a lesão (movimentos repetitivos no trabalho ou em casa);

Rest (Descanso): hoje em dia fala-se em ‘descanso relativo’, pois realizar exercício terapêutico é importante para limitar os danos e prevenir que a doença avance.

Mesmo assim, é preciso entender, como citado no ponto anterior, alguns movimentos devem ser evitados.

Ice (Gelo): Estudos já demonstraram que o uso de bolsa de gelo por até 30 minutos no local inflamado diminuiu a dor e o processo inflamatório.

Esse procedimento pode ser repetido diversas vezes ao dia.

Compression (Compressão): bandagens elásticas ou rígidas colocadas por profissionais e mesmo órteses adquiridas em lojas de material ortopédico ajudam a evitar sobrecarga do tendão.

Uma boa indicação é a utilização noturna. Porém é importante não abusar dessa técnica, pois apesar do descanso ser importante, os exercícios e o fortalecimento são essenciais para uma boa recuperação.

Elevation (Elevação): em caso de inchaço, uma dica é elevar o braço acima do nível do coração para diminuir o acumulo de líquidos.

Preste atenção: essa técnica pode ser contraindicada em caso de algumas doenças do coração.

Medication (Medicação): utilizadas principalmente para controlar a dor, geralmente são utilizados anti-inflamatórios não esteroides (ibuprofeno e diclofenaco estão entre os mais conhecidos).

Na verdade, há debates sobre o real beneficio de utilizar esse tipo de medicamento, pois podem inibir a cura do tendão.

Então, sua melhor indicação (e é o que nós indicamos), é utilizá-lo apenas para diminuir a dor, de modo que o paciente seja capaz de começar os exercícios fisioterapêuticos.

Corticoides orais melhoram a dor inicialmente, mas tem um impacto negativo na recuperação do paciente até 12 meses após a intervenção.

Estudo mostrou que o uso de injeção com corticoide melhora a dor aguda nas primeiras seis semanas, porém após 3 meses não havia nenhuma indicação positiva para seu uso.

Modalities (Modalidades de fisioterapia): TENS (Transcutaneous Electrical Nerve Stimulation / Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea, em português), ultrassom terapêutico, laserterapia e outras técnicas de fisioterapia podem controlar e melhorar e a dor, mas isoladas não são capazes de corrigir as causas e as consequências que elevaram a lesão.

Estudos apontam a necessidade de executar exercícios para os músculos do cotovelo, do punho e do ombro, para fortalece-los e alonga-los.

Importante é desempenhar exercícios chamados excêntricos, que restabelecem a normal arquitetura do tendão.

Para explicar de forma simples o que é um exercício excêntrico pensemos em um músculo conhecido: o bíceps

O bíceps fica entre o cotovelo e o ombro e o usamos para dobrar o cotovelo.

Quando levantamos um peso, por exemplo uma sacola pesada, dobrando o cotovelo, o bíceps fica mais grosso e assim está fazendo o que chamamos de exercício concêntrico.

Mas, ao esticar o cotovelo para colocar a sacola no chão, o bíceps ainda está trabalhando para controlar o movimento do nosso antebraço. Por isso conseguimos colocar a sacola com cuidado no lugar desejado.

Esse tipo de movimento, quando o músculo se estica, ao invés de contrair, é chamado de exercício excêntrico.

Mas não é só isso.

Muitas vezes é importante que o fortalecimento compreenda também a musculatura abdominal e dos membros inferiores, de acordo com a avaliação do terapeuta.

Uma revisão do ano de 2016 sugere que o exercício físico é eficaz para melhorar os sintomas da epicondilite (lateral e medial), mas é importante associar pelo menos outra técnica, como acupuntura, bandagem, terapia manual e eletroterapia.

Persistência da inflamação

O tratamento extracorpóreo por ondas de choque pode ser utilizado naqueles casos refratários a outros tipos de tratamentos.

Segundo estudos recentes, é indicado nos casos em que continuam apresentando sintomas após 3 meses.

Após seis meses de tratamento adequado, sem observação de melhora, pode ser levado em consideração o tratamento cirúrgico.

Há alguns casos também onde a tendinite no cotovelo se resolve sem tratamento, entre 12 e 18 meses, sem nenhum tipo de intervenção.

REABILITAÇÃO POR MEIO DA FISIOTERAPIA

  • Terapias físicas (TENS, crioterapia, ultrassom terapêutico, laserterapia, tratamento extracorpóreo por ondas de choque);
  • Fortalecimento muscular do membro superior, com foco em exercícios de tipo excêntricos, musculatura abdominal e membros inferiores, se necessário;
  • Alongamento;
  • Treino Funcional, visando retomar as tarefas de forma adequada;
  • Terapia ocupacional e conservação de energia, para o paciente não voltar a realizar movimentos de forma errada, sobrecarregando demasiadamente a região afetada;
  • Alterações no local de trabalho para melhorar a postura.

Atualização:

Tentei deixar este artigo o mais completo possível.

Mas, se ainda quiser saber mais, recentemente elencamos as 12 dúvidas mais comuns que sempre recebemos sobre epicondilite lateral e medial:

  • Qual a diferença entre epicondilite lateral e medial?
  • Exercícios práticos de fisioterapia que você pode aplicar hoje.
  • Remédios anti-inflamatórios.
  • Tratamentos caseiros para epicondilite, como o uso do confrei e musculação.
  • Além de muitas outras.

Por fim, abaixo, deixei uma indicação de leitura. Porém, mais direcionada a estudantes.

Deixe nos comentários o que você achou, ou se sentiu falta de algum assunto.

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Até mais!

LIVROS RECOMENDADOS

Análise Ergonômica do Trabalho: Prática de Transformação das Situações de Trabalho
Ollay, Claudia Dias / Kanazawa, Flavio Koiti

Exercícios Terapêuticos: Fundamentos e Técnicas
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Coleção Prometheus Atlas de Anatomia
3 volumes, vários autores – 2013

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C. Panus, Peter

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Dra. Lavinia Clara é Fisioterapeuta pela Universitá degli Studi di Milano, com pós-graduação em Fisioterapia em Pneumologia e Fisioterapia em Ortopedia e Traumatologia pela Universidade Federal de São Paulo. Atual Doutoranda pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). – CREFITO: 151380-F



CID 10 – Classificação Internacional de Doenças

(Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde)

CID 10 para Epicondilite Medial e Lateral:

CID 10 M77.0Epicondilite medial
CID 10 M77.1Epicondilite lateral

Quer saber quais foram todos os CIDs que já publicamos aqui no Dicas de Fisioterapia? Clique aqui.


Fontes

Grupo Editorial Moreira Júnior: http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?id_materia=2436&fase=imprime; Fundacentro – Ministério do Trabalho: http://www.fundacentro.gov.br/noticias/detalhe-da-noticia/2016/2/pesquisadores-da-fundacentro-comentam-sobre-a-lerdort


Neste blog procuramos tratar de tudo sobre fisioterapia.

Ele não substitui e nem pretende substituir um especialista.

Para mais informações, procure o SUS ou consulte um profissional de seu contato.

Fique a vontade para comentar abaixo, tirar dúvidas, sugerir etc.


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    • Avatarfernando soares
    • 29 de maio de 2019
    Responder

    E a infiltração, não é uma alternativa válida ?

    • AvatarAna Pessoa
    • 25 de abril de 2019
    Responder

    Excelente artigo! de linguagem clara e explicativa. Ideal para profissionais da saúde e leigos com dor de cotovelo, rs.
    Também estou tratando com fisioterapia, espero melhorar logo.
    Obrigada por compartilhar orientações.

    • Avatardeley
    • 20 de abril de 2019
    Responder

    Dra.Lavinha Clara ,parabens pelas explicações ,muito util.tenho epicondilite já a 5 meses .sua ajuda é de suma importancia.Obrigado.

    • AvatarRonilson
    • 15 de julho de 2018
    Responder

    Tenho esse problema há 10 meses e não cura! Já fiz várias fisioterapias, aplicações licais, anti inflamatorios e injeções. E o pior q não mostra nos exames de imagens apenas clínico. Continuo fazendo fisioterapia.

    • AvatarVera
    • 13 de abril de 2018
    Responder

    Gostaria de parabenizá-los pelo excelente artigo. Didático,Profissional, claro e responsável.Muito Grata.

    • Responder

      Muitíssimo obrigada, Vera! São comentários como estes que nos encorajam a prosseguir com este trabalho! Em breve escreveremos mais sobre Epicondilite. Para não perder, quando quiser, sinta-se a vontade para assinar nossa newsletter. Até mais!

    • AvatarAntonio Carlos
    • 17 de fevereiro de 2018
    Responder

    Muito bom, gostei demais. Parabéns.

    • Responder

      Olá, Antonio. Muito brigado pelo seu comentário. Escrevemos todos os artigos com muita dedicação e profissionalismo. Seu retorno é muito importante para nós!

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