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O QUE É FIBROMIALGIA, SINTOMAS, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTOS POSSÍVEIS

  • 30 de janeiro de 2018
O que é fibromialgia

O QUE É FIBROMIALGIA

A Fibromialgia (FM), ou Síndrome Fibromiálgica, é uma síndrome caracterizada por dor crônica e generalizada (no corpo todo) ou, pelo menos, em grande parte do corpo. É uma doença reumática, sendo considerada uma síndrome porque se manifesta por um conjunto de sintomas sem causa específica.

O principal sintoma da fibromialgia é a dor. Fibromialgia sem dor não existe.



Ela está presente em todos os pacientes com Síndrome Fibromiálgica.

Essa dor não tem origem inflamatória e sua causa (etiologia) ainda é desconhecida.

Embora existam estudos que levam há algumas hipóteses.

São elas: fatores genéticos, alteração do Sistema Nervoso Central (SNC), fatores neuroendócrinos, psicológicos e distúrbios do sono.

Existem estudos que demonstram que os pacientes apresentam uma sensibilidade maior à dor do que as pessoas sem fibromialgia.

É como se o cérebro das pessoas com fibromialgia interpretasse de maneira exagerada os estímulos, ativando todo o Sistema Nervoso Central para fazer a pessoa sentir mais dor.

E não há cura para esta doença, embora tratamentos possam controlá-la.

A fibromialgia é uma doença muito comum. No Brasil está presente em cerca de 2% a 3% das pessoas.

As mulheres são as mais afetadas e costuma surgir entre 35 a 55 anos, podendo ocorrer tanto na infância, quanto na terceira idade.

Dicas de Fisioterapia Dados Fibromialgia

SINTOMAS DA FIBROMIALGIA

É preciso estar atento aos três principais sintomas da fibromialgia.

1- Dor:

Os pacientes costumam dizer que não há nenhum lugar do corpo que não doa. As queixas dos pacientes em relação aos sintomas são expressas como pontada, queimação, sensação de peso, acordar cansado.

A fibromialgia é uma dor muscular, não é uma dor articular.

2- Distúrbio do sono:

Dificuldade para dormir, pode acordar antes da hora e não conseguir dormir novamente ou pode ser que o paciente acorde várias vezes durante a noite. Pode ser que ele até durma uma noite inteira, mas acorde no dia seguinte com a sensação que dormiu “acordado”. O sono muitas vezes é interrompido por causa da dor.

3- Fadiga:

Ás vezes, a diminuição de energia é tão intensa que lhe impede de realizar as atividades do dia a dia. O paciente não apresenta incapacidade física, mas pode ser incapaz de fazer as coisas do dia a dia por está esgotado fisicamente e mentalmente.

Importante não confundir fadiga com fraqueza muscular. Pacientes com fibromialgia não têm fraqueza muscular. Eles têm cansaço, falta de energia.

Geralmente essa fadiga está relacionada com os distúrbios do sono. Quanto pior a noite de sono, pior a fadiga no dia seguinte.

Os três sintomas estão presentes em quase 90% dos pacientes com fibromialgia.

Outros sintomas que podem ou não existir na fibromialgia:

  • Dificuldades cognitivas: para os portadores de fibromialgia é mais difícil se concentrar, prestar atenção e focar em atividades que necessitam de esforço mental;
  • Dor de cabeça recorrente ou enxaqueca;
  • Dormência e formigamento nas mãos e nos pés;
  • Sensação de inchaço, particularmente nas mãos, antebraços e trapézios, que não é observada pelo terapeuta e não está relacionada a qualquer processo inflamatório;
  • Tontura;
  • Zumbido;
  • Dor torácica atípica;
  • Dor abdominal;
  • Palpitações;
  • Redução na capacidade de se exercitar;
  • Falta de disposição e energia;
  • Alterações intestinais;
  • Diarreia;
  • Dispepsia (desconforto digestivo);
  • Tensão pré-menstrual;
  • Urgência miccional;
  • Distúrbios emocionais e psicológicos (ansiedade, depressão, alteração do humor e do comportamento, irritabilidade, problemas de memória).

Cerca de 30% a 50% dos pacientes possuem alterações emocionais e psicológicas.

Mas, apenas o modelo psicopatológico não justifica a presença da fibromialgia.

O quadro clínico desta síndrome precisa ser cuidadoso, já que incluem outras manifestações além da dor.

DIAGNÓSTICO

Em 1990 o Colégio Americano de Reumatologia (American College of Rheumatology – ACR) definiu como critérios para o diagnóstico da fibromialgia a persistência de queixas dolorosas difusas por um período maior do que três meses e a presença de dor em pelo menos 11, de 18 pontos padronizados, chamados de tender points (imagem).

De acordo com os critérios atuais, devem ser pesquisados os seguintes pares de pontos:

  1. Subocciptal – na inserção do músculo subocciptal;
  2. Cervical baixa – atrás do terço inferior do esternocleidomastoideo, no ligamento intertransverso C5-C6;
  3. Trapézio – ponto médio do bordo superior, numa parte firme do músculo;
  4. Supra-espinhoso – acima da escápula, próximo à borda mediaI, na origem do músculo supra-espinhoso;
  5. Segunda junção costo-condral – lateral à junção, na origem do músculo grande peitoral;
  6. Epicôndilo lateral – 2 a 5 em de distância do epicôndilo lateral;
  7. Glúteo médio – na parte média do quadrante súperoexterno na porção anterior do músculo glúteo médio;
  8. Trocantérico – posterior à proeminência do grande trocanter;
  9. Joelho – no coxim gorduroso, pouco acima da linha média do joelho.

O tender points é recomendado como proposta de classificação, contudo não deve ser considerado como essencial para o diagnóstico. Nada impede de a dor atingir também outros pontos.

No atendimento de um paciente com fibromialgia é importante perguntar se, além da dor, ele dorme bem ou não a noite, por exemplo. E também se teve algum trauma emocional nos últimos anos ou meses.

O diagnóstico da fibromialgia é feito clinicamente (por meio da história dos sintomas e do exame físico).

Não existem testes laboratoriais que possam realizar o diagnóstico, mas o médico pode solicitar exames de sangue para que outras doenças, com sintomas e características parecidos, sejam eliminadas entre os possíveis diagnósticos.

Exames laboratoriais de imagem, como Radiografia, Ultrassom, Ressonância Magnética não detectam a fibromialgia.

É preciso paciência, pois o diagnóstico pode ser demorado. Há casos que podem demorar até 10 anos para serem diagnosticados.

Isso dependerá do acesso que o paciente tem ao especialista e ao serviço de saúde.

No entanto, o mais importante para o diagnóstico de fibromialgia é o histórico do paciente e seu exame físico cuidadoso.

TRATAMENTO DA FIBROMIALGIA

Não existe um tratamento específico para fibromialgia, o principal objetivo está em aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Desta forma, não deve ser encarada como uma doença que necessita de tratamento, mas sim como uma condição clínica que requer controle. Logo, requer um diagnóstico médico.

Os sintomas de quem possui a síndrome ocorrem ao longo da vida, com episódios mais leves e outros mais fortes.

Ao paciente, o primeiro passo é tirar todas as dúvidas com o seu médico ou com grupos de apoio a pacientes com fibromialgia (fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas).

O segundo passo é entender e lidar com os diversos sintomas da síndrome.

Aos profissionais, o primeiro passo é compreender que a pessoa com fibromialgia é um indivíduo ativo na sociedade, tratar somente a dor generalizada não é tão eficaz. É necessário um olhar global para essa pessoa.

O ideal seria conseguir melhorar os sintomas com tratamento não medicamentoso, porém o médico escolherá diante dos sintomas apresentados a melhor escolha de medicamentos e a dose correta.

A automedicação pode trazer grandes riscos e deve ser sempre evitada.

TRATAMENTO COM REMÉDIOS

Antidepressivos tricíclicos

Os antidepressivos possuem ação analgésica indireta. Promovem aumento da quantidade de neurotransmissores como serotonina, dopamina e norepinefrina.

A qualidade do sono melhora, pontecializa ação de analgesia, diminui a fadiga e ocorre relaxamento muscular.

Bloqueadores seletivos de recaptação de serotonina

Os bloqueadores também promovem aumento na quantidade de serotonina, reduzindo a fadiga, melhora do raciocínio e o ânimo do paciente.

Fluoxetina, Sertralina são exemplos de bloqueadores utilizados na síndrome.

Benzodiazepínicos

Aumentam a quantidade de serotonina, tem efeito analgésico. Os benzodiazepínicos atuam na fibromialgia promovendo relaxamento muscular e diminuindo os movimentos de pernas durante o sono.

A desvantagem é que o uso contínuo dessa medicação pode ter efeito prejudicial sobre o sono. Além disso, os benzodiazepínicos podem exacerbar sintomas depressivos e promover dependência.

Analgésicos e anti-inflamatórios

Sobre os analgésicos e anti-inflamatórios não são eficazes na fibromialgia, pois a causa da dor é desconhecida ainda, sendo assim, eles não conseguem regular o cérebro para diminuir a sensação de dor.

Alguns estudos apontam que o Paracetamol ou dipirona, não resolverá totalmente a dor em um paciente com fibromialgia.

Porém, eles podem reduzir a dor a um ponto que permita aos pacientes realizarem suas tarefas de vida diária e, principalmente, que possam realizar atividade física aeróbica programada.

Por outro lado, há pacientes que ficam viciados nesses remédios para dor.

TRATAMENTO SEM MEDICAMENTOS

Dicas de Fisioterapia Acupuntura

Há inúmeras alternativas sem usar remédios para aliviar os sintomas da fibromialgia, em especial, a dor que ela causa.

Exercícios físicos

Vários estudos demonstram que os exercícios são importantes e devem fazer parte do tratamento da síndrome.

Os exercícios mais adequados são os aeróbicos, sem carga, sem grandes impactos para o aparelho osteoarticular, como pilates, natação e hidroginástica, caminhada, dança ou aqueles em que o paciente é capaz de identificar o limite de seu esforço.

As atividades físicas apresentam um efeito analgésico; por estimular a liberação de endorfinas. Funcionam como antidepressivo e proporcionam uma sensação de bem-estar global e de autocontrole.

Porém, devem ser bem acompanhada por um profissional, para que não seja muito extenuante.

Seu início deve ser leve e a sua intensidade aumentada gradativamente.

Deve também ser bem planejada para ser tolerada desde o início e para manter a adesão do paciente por um período prolongado.

Acupuntura e outras atividades

Acupuntura, pompagem, hipnoterapia entre outras atividades também são muito recomendadas.

Essas atividades e terapias auxiliam tanto no relaxamento como na resistência muscular, reduzindo a dor e, em menor grau, melhorando a qualidade do sono.

SUPORTE PSICOLÓGICO

Entre 25% a 50% dos pacientes apresentam distúrbios psiquiátricos, emocionais que dificultam a abordagem e sua melhora clínica, necessitando muitas vezes de um suporte psicológico profissional.

A linha terapêutica mais eficaz para a fibromialgia é aquela que faz o paciente se sentir mais a vontade, seguro e confiante no tratamento.

A terapia comportamental cognitiva é uma das mais indicadas.

O apoio psicológico dos familiares conduz, com certeza, à melhor qualidade de vida.

O QUE A FISIOTERAPIA PODE FAZER?

  • Melhorar e controlar os sintomas da fibromialgia;
  • Melhorar a condição musculoesquelética e cardiovascular;
  • Promover trabalho educativo, atividade física adequada, orientações posturais e ergonômicas.

Condutas da fisioterapia

As condutas são de acordo com o perfil do paciente, suas limitações e atividades no dia a dia:

  • Exercícios aeróbicos de baixa intensidade
  • Caminhada e bicicleta
  • Exercícios de alongamento muscular: Lembre-se o alongamento não deve ser doloroso, apenas uma sensação do músculo ganhando comprimento deve estar presente.
  • Estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS: Transcutaneous Electrical Nerve Stimulation)
  • Relaxamento por biofeedback
  • Massagem Clássica
  • Eletroacupuntura
  • Exercícios domiciliares
  • Orientações posturais

É aconselhável, no mínimo, 3 vezes por semana durante um período que seja perceptível a melhora dos sintomas.

RECOMENDAÇÕES

Às vezes a má postura e as dores musculares podem provocar dor já que o comprimento dos músculos e a postura errada podem levar as pessoas a fazer compensações com o corpo.

Faça sua parte, participe de forma ativa e siga as orientações dos profissionais.

Contudo, não espere que os profissionais sozinhos tenham a solução para a sua síndrome.

Mudar as crenças negativas sobre a fibromialgia ajuda muito.

É importante que você saiba os mitos e as verdades da fibromialgia.

Escolha uma atividade física que goste e presenteie o seu corpo com algo que não seja dor.

Quando sentir dor forte, você também pode usar uma bolsa de água quente.

Converse com com seu médico sobre formas de fazer auto-massagem, relaxar os músculos que doem, realizar respiração diafragmática, meditar etc.

Reduza o estresse.

Durma o suficiente.

Procure manter um estilo de vida saudável.

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Fibromialgia e Fisioterapia: Avaliação e Tratamento
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Exercícios Terapêuticos: Fundamentos e Técnicas
Kisner, Carolyn – 2013

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Dra. Maria Lira é Fisioterapeuta, Pós-Graduada em Ortopedia e Traumatologia pela UNIFESP e em Medicina Tradicional Chinesa. – CREFITO: 144896-SP



CID 10 – Classificação Internacional de Doenças

(Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde)

CID 10 para Fibromialgia:

CID 10 M79.7Fibromialgia

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Fontes

KUMPEL C et al. Benefício do Método Pilates em mulheres com fibromialgia.ConsSauded v15. N3. 6515. set-2016. Pareja-Lillo JL. Fibromyalgia, new proposals in evaluation and treatment. Mot. Hum. Supl 1:44-45 2016;17. PROVENZA JR et al. Fibromialgia. Rev. Bras Reumatol. v44. n6. p.443-9, nov/dez, 2004. MORETTI E C et al. Efeitos da Pompage associada ao exercício aeróbico sobre dor, fadiga e qualidade do sono em mulheres com fibromialgia: um estudo piloto . Fisioter Pesqui. 2016, 23 (3) 227-33. Site: www.fibromialgia.com.br


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