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SÍNDROME DE DOWN E O TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO DESDE A INFÂNCIA

  • 21 de março de 2018
Síndrome de Down e o tratamento fisioterapêutico desde a infância

O QUE É SÍNDROME DE DOWN

A Síndrome de Down é causada por uma alteração genética. Geralmente os seres humanos possuem 46 pares de cromossomos, 23 recebidos pela mãe e 23 pelo pai. Totalizando 46 cromossomos. Porém, as pessoas com Síndrome de Down possuem 47 cromossomos, ou seja, um a mais. Especificamente, o cromossomo a mais é o número 21. Por isso que essa síndrome é também conhecida como Trissomia 21.

A Síndrome de Down foi descrita pela primeira vez por John Langdon Down, em 1866.

Mas, foi somente em 1959, quase cem anos depois, que os cientistas Jerome LeJeune e Patricia Jacobs, trabalhando de forma independente, descobriram que distúrbio genético estava no cromossomo de número 21.

Síndrome de Down e o tratamento fisioterapêutico desde a infância

A trissomia do cromossomo 21 foi a primeira alteração cromossômica a ser detectada no ser humano.

Além disso, é a mais comum entre as alterações cromossômicas, com incidência de um caso a cada 700 nascidos vivos, independente de etnia, gênero ou classe social.

Há um índice maior entre as mães com mais de 30-35 anos.

E os efeitos desse cromossomo a mais são diversos.

Por isso que se trata de uma síndrome, que significa justamente um conjunto de sinais e sintomas que podem variar entre os indivíduos.

Geralmente as alterações envolvem o desenvolvimento psicomotor, a presença de deficiência intelectual e uma serie de características físicas típicas de quem tem essa síndrome.

CARACTERÍSTICAS

O diagnóstico da Síndrome de Down é feito através de análise genética, que pode ser feita ainda na fase pré-natal, por meio da amniocentese ou a biopsia do vilo corial.

Atualmente a expectativa de vida das pessoas com Síndrome de Down de cerca de 60 anos.

Mas, tudo indica que a expectativa de vida das próximas gerações estará sempre mais próximas das pessoas que não tem a Síndrome de Down.

Porém, com o aumentar dos anos de vida, assim como para o resto da população, sempre precisamos nos preocupar mais também em conservar a qualidade de vida.

O fenótipo (o aspecto físico da pessoa) é bem característico, especialmente na face, mas pode variar de individuo para individuo.

Algumas características físicas de pessoas com Síndrome de Down são as pálpebras oblíquas, epicanto (prega cutânea no canto interno do olho), sinófris (união das sobrancelhas), face mais plana, aumento do tamanho da língua – que leva a protrusão lingual –, orelhas mais baixas e pavilhão auricular pequeno, braquidactilia (dedos das mãos e dos pés mais curtos), hipotonia (tônus muscular diminuído), frouxidão ligamentar (os ligamentos são mais fracos), retrognatia (quando a mandíbula é mais posterior que o usual), diástase (afastamento) dos músculos abdominais – que pode levar a hérnia umbilical.

Algumas pessoas com Síndrome de Down podem ter sintomas graves que precisam de atenção e cuidado médico, como cardiopatia congênitas (doenças do coração), alterações oftalmológicas (doenças dos olhos), auditivas, do sistema digestório, endocrinológica (hormonais), hematológicas (do sangue), respiratórias e ortodônticas.

PAPEL DA FISIOTERAPIA NA SÍNDROME DE DOWN

O papel do fisioterapeuta é essencial no desenvolvimento pleno da criança ou adulto com Síndrome de Down, atuando em diversas áreas.

Como em todas as outras situações, a intervenção fisioterapêutica começa com uma avaliação minuciosa e completa, com coleta de dados pessoais e sociais seguida por um exame físico completo, complementada se for necessária por alguma escala ou questionário de desenvolvimento.

Desde os primeiros meses de vida o tratamento de fisioterapia, conjuntamente com uma equipe multidisciplinar, ajuda o bebê com Síndrome de Down a percorrer as etapas de seu desenvolvimento motor, como controlar a cabeça e o tronco, rolar, sentar, arrastar, engatinhar, andar e correr.

O tratamento deve focar em particular no trabalho de equilíbrio, postura, lateralidade e a coordenação de movimentos, inclusive movimentos finos da mão.

Algumas alterações graves do sistema locomotor precisam ser investigadas: subluxação cervical, com ou sem lesão medular, luxação de quadril ou instabilidade das articulações, devida a hipotonia e frouxidão ligamentar.

Lembrando que sempre que se atua com crianças o foco da atividade no tratamento deve ser sempre a brincadeira.

O lúdico é sempre o melhor caminho para que o tratamento fisioterapêutico seja leve, prazeroso e até divertido.

Ele estimula a descoberta pelo novo e pelo mundo, que norteiam a motivação e o interesse da criança.

Por exemplo para crianças de idade maior pode ser utilizado um circuito a ser completado – andar em superfícies instáveis ou com texturas diferentes, passar por aros, pegar ou colocar objetos em suportes etc.

O tratamento fisioterapêutico e a família

O profissional nunca pode esquecer que tudo que se faz com a criança deve ser compartilhado com a família.

A família, por sua vez, precisa ter o treinamento adequado para repetir as ações do fisioterapeuta em casa, pois é com ela que nosso pequeno paciente passa a maior parte de seu tempo.

A medida que a criança cresce, se tornando adolescente ou começa a entrar na fase adulta o tratamento da fisioterapia irá seguir objetivos específicos segundo as necessidades, sintomas e queixas de cada paciente – dor, alterações musculares ou esqueléticas, como escoliose.

Numerosos estudos científicos demonstram o beneficio da atividade física em indivíduos com Síndrome de Down.

Por exemplo, uma revisão sistemática de 2017 concluiu que é importante que as pessoas com Síndrome de Down pratiquem atividades físicas, para ter um impacto positivo sobre sua qualidade de vida e melhor desempenho das atividades na vida cotidiana.

Outra revisão, com meta-análise de 2016, apontou resultados positivos do treino neuromuscular em crianças e jovem adultos com Síndrome de Down.

Um ensaio clinico randomizado mostrou melhora na força muscular e na agilidade a partir de seis semanas, em particular dos membros inferiores, confirmando o que outros estudos já tinham apontado

Inclusive sobre benefícios da natação e hidroginástica para essa população.

Crianças com Síndrome de Down têm grandes benefícios se tratadas precocemente com intervenções estimuladas pela fonoaudiologia, psicologia, pedagogia, fisioterapia e terapia ocupacional.

Além de um acompanhamento médico adequado que tenha como alvo tratamento dos diferentes problemas de saúde que pode afetá-la.

A criança e o individuo com Síndrome de Down precisam ter um acompanhamento multidisciplinar que trabalhe em sinergia com a família, a escola e a comunidade.

NOSSO PONTO DE VISTA

Aqui no Dicas de fisioterapia não entedemos a Síndrome de Down como uma doença que precisa ser curada ou eliminada, mas sim como ‘um modo de estar no mundo que demonstra a diversidade humana’.

Como todos os seres humanos as pessoas com Síndrome de Down não precisam ser mudadas ou ‘consertadas’, mas apoiadas e encorajadas em todos os âmbitos para que desenvolvam seu máximo potencial para dar suas preciosas contribuições à sociedade.

E que, para, acima de tudo, sejam felizes e completas em suas vidas.

Há sempre mais exemplos de integração de pessoas com Síndrome de Down na sociedade, graças as políticas de inclusão que vem sendo implementadas.

Encontramos professores, artistas, modelos, atores e até políticos que, além de serem ótimos profissionais, têm Síndrome de Down.

LIVROS RECOMENDADOS

Brincando a Brincadeira com a Criança Deficiente: Novos Rumos Terapêuticos
Lorenzini, Marlene V.

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Dra. Lavinia Clara é Fisioterapeuta pela Universitá degli Studi di Milano, com pós-graduação em Fisioterapia em Pneumologia e Fisioterapia em Ortopedia e Traumatologia pela Universidade Federal de São Paulo. Atual Doutoranda pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). – CREFITO: 151380-F



CID 10 – Classificação Internacional de Doenças

(Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde)

CID 10 para Síndrome de Down:

CID 10 Q90Síndrome de Down
CID 10 Q90.0Trissomia 21, não-disjunção meiótica
CID 10 Q90.1Trissomia 21, mosaicismo (não-disjunção mitótica)
CID 10 Q90.2Trissomia 21, translocação
CID 10 Q90.9Síndrome de Down não especificada

Quer saber quais foram todos os CIDs que já publicamos aqui no Dicas de Fisioterapia? Clique aqui.


Fontes

Informações e artigos científicos sobre fisioterapia na Síndrome de Down
Morais K. et al. Perfil do atendimento fisioterapêutico às crianças com Síndrome de Down. Fisioter. mov. 2016;29(4) http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-51502016000400693&lang=pt
Borssatti F. et al. Efeitos dos exercícios de força muscular na marcha de indivíduos portadores de Síndrome de Down. Fisioter. mov.2013;26(2) http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-51502013000200010&lang=pt
Godzicki B. Aquisição do sentar independente na Síndrome de Down utilizando o balanço. Fisioter. mov. 2010;23(1) http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-51502010000100007&lang=pt
Carvalho R. et al. Controle postural em indivíduos portadores da síndrome de Down: revisão de literatura. Fisioter. Pesqui. 2008;15(3). http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-29502008000300015&lang=pt
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_atencao_pessoa_sindrome_down.pdf (PDF)

http://www.fsdown.org.br/sobre-a-sindrome-de-down/o-que-e-sindrome-de-down/
https://espacodown.wordpress.com/historia-da-sindrome-de-down/
http://www.movimentodown.org.br/desenvolvimento/fisioterapia/
Gupta N, Kabra M. Diagnosis and Management of Down Syndrome. The Indian Journal of Pediatrics. 2014;81(6):560–567
Hardee J.P.  Fetters L.The effect of exercise intervention on daily life activities and social participation in individuals with Down syndrome: A systematic review. Research in Developmental Disabilities 62 (2017) 81–103
Sugimoto D et al. Effects of Neuromuscular Training on Children and Young Adults with Down Syndrome: Systematic Review and Meta-Analysis. Research in Developmental Disabilities 55 (2016) 197–206
Lin HC et al. Strength and agility training in adolescents with Down syndrome: A randomized controlled trial. Research in Developmental Disabilities 33 (2012) 2236–2244.


Neste blog procuramos tratar de tudo sobre fisioterapia.

Ele não substitui e nem pretende substituir um especialista.

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